*Por Luciana Mastandrea
Difícil imaginar que podemos sofrer uma queda quando somos jovens ou adultos. Pensamos que é algo que pode estar bem longe da gente. Mas, num piscar dos olhos, estamos à frente do processo natural do envelhecimento, “a senescência”. Com a expectativa de vida aumentada, poderemos viver mais e também ter mais doenças. Tudo depende da nossa qualidade de vida. Pensando nisso nunca é tarde para se cuidar. Nunca é tarde para começar uma atividade física. E o treinamento resistido ”musculação terapêutica ou adaptada” tem mostrado ser o exercício mais eficiente para fortalecer os músculos e garantir melhor mobilidade. Os estudos com pessoas idosas têm documentado a importância dos efeitos destes exercícios para melhora da qualidade de vida por meio de alivio das dores articulares, maior independência funcional e melhora da autoestima. E eles podem ser mais suaves do que o caminhar, justificando o uso na reabilitação e promoção de saúde.
A definição de quedas é “um evento não intencional que tem como resultado a mudança de posição do indivíduo para um nível mais baixo em relação a posição inicial, associado ou não a consequências”.
De 28 a 35% dos idosos caem ao menos uma vez por ano. A cada 11 segundos um idoso é atendido na sala de emergencia em decorrencia de queda. A cada ano, mais de um em cada quatro adultos mais velhos com 65 anos ou mais cairá. Após a primeira queda, a chance de ocorrer outra queda dentro de um ano é de 66%.
Existem muitas condições que contribuem para a queda. Estes são chamados fatores de risco. Muitos fatores de risco podem ser alterados ou modificados para ajudar a evitar quedas. Eles incluem: diminuição da visão, diminuição da audição, sedentarismo, distúrbios músculos-esqueléticos (fraqueza muscular e degenerações articulares), alterações na postura, alteração de equilíbrio e locomoção, uso de medicamentos como tranquilizantes, sedativos ou antidepressivos, deformidades nos pés/ calçados e fatores ambientais como piso irregular, tapetes e objetos no chão.
A maioria das quedas é causada por uma combinação de fatores de risco. Quanto mais fatores de risco a pessoa tiver, maiores serão suas chances de cair.
Muitas pessoas que caem, mesmo que não sejam feridas, ficam com medo de cair. Esse medo pode levar uma pessoa a reduzir suas atividades diárias. Quando uma pessoa é menos ativa, ela se torna mais fraca e isso aumenta suas chances de cair.
Menos da metade diz ao seu médico. Cair uma vez dobra suas chances de cair novamente. 40 a 60% das quedas resultam em alguma consequencia para o idoso.
Muitas quedas não causam ferimentos. Mas uma em cada cinco quedas causa uma lesão grave, como lacerações, fraturas ou trauma craniano. Essas lesões podem dificultar a locomoção ou mesmo realizar atividades cotidianas ou viver sozinha.
95% das fraturas de quadril são causadas por quedas e 20% dos idosos com fratura de quadril morrem em 1 ano e o período médio de internação é de 15 dias. Um idoso acamado perde 1,5% de força muscular por dia, sendo 10% de perda de força muscular por semana.
O idoso cai 60% mais dentro de casa e 40% fora de casa. Sendo que os locais que caem com mais frequencia é 36% banheiro, 21% quarto, 15% cozinha, 13% sala. Portanto medidas preventivas são importantes para evitar quedas. Converse com seu médico sobre os medicamentos que toma. Consulte uma vez ao ano o seu oftalmologista, pois a má visão pode aumentar suas chances de cair.
Caso necessário, converse com o fisioterapeuta sobre o uso de dispositivo de auxilio para a marcha como bengala ou andador. Cuide de seus pés, pois unhas encravadas, longas com infecção podem dificultar a caminhada e discuta o calçado adequado.
Exercite-se para melhorar seu equilíbrio e força.
Exercícios que melhoram o equilíbrio e fortalecem os musculos diminuem suas chances de cair. Por isto a importância do fortalecimento muscular por meio do treinamento resistido para todas as idades. Além do aumento da força muscular, também ajuda você a se sentir melhor e mais confiante. A falta de exercício leva à fraqueza muscular, imobilidade e aumenta suas chances de cair.
Torne sua casa mais segura. Melhore a iluminação da sua casa. Remova as coisas que você pode tropeçar (como papéis, livros, roupas e sapatos) de escadas e lugares onde você anda. Remova pequenos tapetes ou use fita dupla face para evitar que os tapetes escorreguem. Ter barras de apoio colocadas no banheiro e ao lado do vaso sanitário.
A prevenção é a meLhor medida para viver vidas mais longas e saudáveis.
Fonte: Luciana Mastandrea é fisioterapeuta, mestrado em Ciências FMUSP, coordenadora do Instituto Biodelta

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