SAÚDE

A drenagem linfática como aliada da saúde

Coordenadora e professora da pós-graduação em estética dermaticista da Faculdade IDE, Glória Cabral, explica como o procedimento pode trazer bons resultados para o funcionamento do nosso organismo

A drenagem linfática como aliada da saúde O procedimento melhora a circulação, relaxa o corpo e pode atuar discretamente no combate à gordura localizada
Crédito: BANCO DE IMAGENS
Popularmente conhecida pelos seus benefícios estéticos, como a redução de medidas e diminuição das celulites, a drenagem linfática vai muito além das aparências e proporciona inúmeros benefícios para a saúde do nosso corpo, pois estimula o sistema linfático a trabalhar mais rápido, já que é responsável por mover os fluidos pelo corpo. O procedimento é feito através de massagem manual por fisioterapeutas, massoterapeutas ou esteticistas.
De acordo com a coordenadora e professora da pós-graduação em Estética Dermaticista da Faculdade IDE, Glória Cabral, o objetivo do procedimento não invasivo é retirar a linfa que fica acumulada entre as células, o que pode ser ocasionado por um retardo da pessoa na produção da linfa, por exemplo, ou por dificuldades da absorção por parte das células. Com essa estimulação, há a diminuição do inchaço e melhora da celulite. 
“O procedimento melhora também a circulação em geral, relaxa o corpo e pode atuar discretamente no combate a gordura localizada, uma vez que a massagem aumenta o metabolismo do local. Entre os principais benefícios do método estão a redução da retenção de líquido, ativação da circulação sanguínea, combate à celulite e até o relaxamento corporal”, comenta a docente sobre as vantagens do processo. 
Entre os resultados mais perceptíveis fisicamente, estão a diminuição da gordura, pois ajuda a limpar toxinas que formam nódulos de gordura e a eliminação do inchaço que acomete muitas pessoas. Além disso, a drenagem linfática deixa a pele com uma aparência mais saudável, pois aumenta a oxigenação da pele em curto prazo e melhora a circulação sanguínea de todo o corpo. 
Muitas mulheres procuram uma clínica de estética para diminuir as indesejadas celulites que aparecem ao longo dos anos, mas neste caso é preciso ficar ligada ao estilo de vida que se leva. “Os resultados dependem de uma série de fatores, como alimentação, tabagismo, estresse, e do grau da celulite, é preciso antes mudar os hábitos que causam a retenção de líquidos. Em quadros mais avançados, são necessárias mais sessões de drenagem linfática para que sejam vistos os resultados”, alerta Glória. 
O tratamento é feito em sessões e a sua continuidade é muito importante para melhores resultados. “A drenagem pode ser de uma até três vezes por semana. A repetição regular é importante, porque quando a pessoa deixa de fazer a drenagem linfática, a retenção de líquidos volta. Em uma semana já é possível sentir novamente os edemas, mas isso varia desde a relação entre peso e altura, até consumo excessivo de sódio e se há ou não ingestão adequada de fibras”, explica a coordenadora. 
Mesmo trazendo inúmeros benefícios para a saúde, existem alguns casos em que o procedimento deve ser evitado, como aquelas pessoas com infecções agudas, edemas sistêmicos de origem cardíaca, insuficiência cardíaca, hipertensão e diabetes descompensadas, flebites, tromboses, tromboflebites, reações alérgicas e agudas, afecções da pele não tratadas, câncer, asma brônquica e bronquite asmática, hipertireoidismo, imunodepressão e insuficiência renal dependente de diuréticos ou diálise. 
 
DRENAGEM LINFÁTICA NA GRAVIDEZ – Grande parte das mulheres grávidas sofre muito com o inchaço, principalmente das pernas e pés, mas a drenagem pode ser uma excelente opção para as futuras mamães que sentem os incômodos desse período. “O edema, ou retenção de líquidos, é um problema comum na gravidez e a drenagem é perfeita para reduzir esse incômodo. Ela ainda pode ajudar prevenir celulite e estrias e diminui bastante o inchaço corporal ao final do dia”, explica a professora da Faculdade IDE.
Mas é preciso ouvir primeiro o profissional que a acompanha durante a gestação. “Essa drenagem só pode ser feita com aval do médico. Normalmente, isso ocorre a partir do terceiro mês de gestação e a massagem deve ser diferenciada, pois não se deve drenar a região abdominal e da mama, e sim apenas fazer movimentos de deslizamento suaves. A gestante não pode ficar de bruços e, por isso, a drenagem na parte posterior é feita com a paciente de lado”, alerta Glória sobre como deve ser feita. 
 
DRENAGEM LINFÁTICA APÓS A MASTECTOMIA – Como parte do tratamento do câncer de mama, está a cirurgia para retirar as mamas ou apenas uma delas, de acordo com o estágio da doença. E a drenagem linfática pode ser uma boa opção para o pós-operatório. “Após a cirurgia podem ocorrer várias complicações pós-cirúrgicas, como o aparecimento de fibroses, alterações circulatórias e respiratórias, parestesias, dor, rigidez, linfedema, entre outras”, diz Glória Cabral. 
O linfedema braquial pós-mastectomia radical é a alteração mais comum após a cirurgia. É uma síndrome de causas múltiplas, na qual existe acúmulo excessivo de líquido, com alta concentração proteica, em partes do braço ou nele todo, causada pela destruição do sistema linfático e dificuldade de regeneração do mesmo. O tratamento do linfedema deve ser feito através da drenagem linfática manual, fortalecimento e alongamento muscular e massagem de fricção sobre a cicatriz”, explica a profissional. 
 
CUIDADOS – Riscos da drenagem feita por profissionais não habilitados, segundo Glória Cabral:
 
•         Formação de hematomas
•         Aumento de varizes
•         Inflamação do tecido (principalmente no pós-operatório)
•         Aumento de dor
•         Se o paciente tiver um processo inflamatório, com bactéria ou vírus, em determinado local essa inflamação pode migrar para outra parte do corpo
•         Aumento do inchaço (edema)
•         Se a massagem for vigorosa e não leve, pode causar dor, hematomas e edemas, devido ruptura de pequenos vasos por estímulo excessivo sobre o sistema linfático
•         A drenagem mal feita não promove relaxamento e o paciente não experimenta o conforto que ele merece

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