Chamada de cistite de repetição, a infecção
urinária baixa recorrente é comum em qualquer época do ano, porém com uma
incidência maior no verão, já que é normal que as pessoas passem mais tempo com
a roupa de banho úmida ao corpo quando estão na praia ou na piscina.
Estimativas mostram que, pelo menos metade das mulheres, pode apresentar pelo
menos um episódio de infecção urinária durante a vida. Portanto, umas das
recomendações da SBU é que se faça a higiene local da forma correta para
reduzir a contaminação.
Embora pareça inofensiva, essa prática pode
ocasionar dermatites na região da genitália, sendo facilitadoras para o
surgimento e proliferação de germes na via urinária. Pode acometer a bexiga
(cistite), a ureta (uretrite) e rins (pielonefrite). Os sintomas da infecção
urinária, denominada baixa, são desconforto, dor para urinar, necessidade de ir
mais vezes ao banheiro e sensação de esvaziamento incompleto da bexiga.
“Quando ocorre no homem, é preciso investigar
para saber se existe o comprometimento da próstata. Se a infecção atingir os
rins, os sintomas são os mesmos, porém, a pessoa terá também febre e
comprometimento do estado em geral”, explica Dr. Flavio Trigo, presidente da
Sociedade Brasileira de Urologia de São Paulo, urologista, especialista em Incontinência
Urinária do Hospital Sírio-Libanês e Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo.
Na mulher, as chances de contrair a bactéria
são maiores, já que a uretra é curta, medindo em torno de quatro centímetros.
Problemas como diabetes, alterações no PH vaginal por conta da gravidez e
complicações ginecológicas, como corrimento e a vulvovaginite - inflamação da
vulva e da vagina, contribuem para a colonização do germe na bexiga.
Uma dica importante é evitar roupas íntimas
desenvolvidas com material sintético, pois podem ajudar na proliferação de
bactérias, e reduzem a ventilação na região. Já optar por tecidos de algodão é
uma boa escolha por manter o local mais seco. A máxima de beber pelo menos dois
litros de água por dia é fundamental para estimular a produção de urina. A
recomendação de não segurar o “xixi” por muito tempo continua valendo.
Na menina
As vulvovaginites podem ser uma das causas
para o aparecimento da infecção urinária na criança. “É importante fazer um
exame clínico e, como prevenção, avaliar a vagina da menina. Os pais devem
educar a filha, desde cedo, a ter hábitos de higiene e orientá-la sobre a forma
correta de urinar, nunca em pé. Um problema muito comum é a forma inadequada de
se limpar após a defecação, permitindo que as fezes tenham contato direto com o
períneo e a vagina, contaminando a área e facilitando a infecção urinária
baixa”, diz o especialista.
No menino
No nascimento, temos a fimose fisiológica, que
até pode permanecer até os quatro anos. A patologia é caracterizada por
dificuldade de expor a glande após a retração da pele que a recobre. Desta
forma, pode acontecer uma balanopostite, que é uma inflamação desta região do
pênis da criança, facilitando o aparecimento da infecção urinária.
Se não tratada, a infecção urinária baixa, a
cistite, pode evoluir para a pielonefrite, que leva a complicações e cicatrizes
do rim, podendo alterar a função renal. A recomendação é que se procure um
urologista para investigar a doença e realizar o melhor tratamento. “O que se
sabe é que algumas vacinas específicas para combater a bactéria escherichia
coli são efetivas”, finaliza o médico.

Comentários