Assim como existem
pessoas meticulosas, que procuram seguir a ordem de aplicação de cosméticos com
um produto para cada protocolo existem outras que não abrem mão da praticidade
ou não têm tempo para aplicar todos os produtos que são necessários e recomendados
para a pele. Por isso, o mercado de dermocosméticos passou a investir em
produtos multifuncionais, como hidratantes que já contam com fator de proteção
solar em sua fórmula. Porém, um estudo recente apresentado na British
Association of Dermatologists Annual Conference apontou que cosméticos que
combinam hidratação e fotoproteção podem não ser realmente efetivos contra a
ação dos raios solares.
“Utilizando uma
câmera modificada para medir a quantidade de radiação ultravioleta que atinge
nossa pele após a aplicação de cada tipo de fotoprotetor, pesquisadores da
Universidade de Liverpool descobriram que os hidratantes com FPS fornecem uma
quantidade muito menor de proteção solar do que um fotoprotetor”, explica o
pesquisador em Cosmetologia Lucas Portilho, farmacêutico e diretor científico
da Consulfarma.
Para o estudo, os
pesquisadores realizaram dois testes distintos: no primeiro pediram para que os
pacientes aplicassem o fotoprotetor convencional de FPS 30 e no segundo que
aplicassem o hidratante também com FPS 30. Em seguida, foram tiradas fotos com
a câmera modificada para avaliar de que modo às pessoas aplicaram o produto e o
quão eficientes estes são.
“Era de se esperar
que a área do rosto coberta pelo hidratante fosse maior do que a área coberta pelo
filtro solar. Porém, o que os pesquisadores descobriram foi, na verdade, o
oposto. Ao aplicarem o fotoprotetor as pessoas esqueceram de cobrir apenas 11%
do rosto, enquanto ao passarem o hidratante os pacientes não cobriram cerca de
16% do rosto, especialmente a região dos olhos, que é justamente a área mais
suscetível da face a ação dos raios ultravioletas”, destaca o pesquisador.
Além disso,
durante a análise das fotografias, os pesquisadores encontraram outra questão
preocupante. Mesmo nas áreas da pele que estavam cobertas com o hidratante a
proteção solar não era a mesma que a do fotoprotetor, embora ambos tivessem o
mesmo fator de proteção solar. Isso por que os participantes do estudo estavam
aplicando uma camada muito mais fina de hidratante do que de fotoprotetor.
“Se uma pessoa
aplica metade da quantidade recomendada de um filtro com FPS 30, ela recebe a
proteção equivalente à de um FPS 8. E o pior é que, por achar que está
protegida, ela acaba aumentando sua exposição ao sol, o que pode levar a uma
lesão celular”, alerta o especialista.
Segundo Lucas, os
resultados deste estudo estão relacionados com o fato de que o objetivo de um
hidratante, mesmo que este contenha FPS, é diferente do objetivo de um
fotoprotetor. Logo, as pessoas acabam aplicando apenas a quantidade suficiente
do cosmético para hidratar a pele, mas não o suficiente para protege-la dos
raios solares.
“Apesar de o
estudo confirmar que usar um protetor solar e não apenas um hidratante com FPS
é fundamental para garantir uma proteção eficaz contra a radiação UV, ainda são
necessárias pesquisas para investigar se o hidratante com FPS seria capaz de
proporcionar tanta proteção como o filtro solar se aplicado da forma e na
quantidade correta”, finaliza Lucas Portilho.

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