De uma queimadura solar a uma reação alérgica, são muitos os
motivos pelos quais a sua pele pode ficar vermelha, inflamada ou irritada.
Apesar de nem sempre ser motivo de preocupação, é preciso identificar a causa
da vermelhidão, pois o sintoma pode estar relacionado a doenças mais sérias que
necessitam de tratamento. Para ajudar, a dermatologista Dra. Thais Pepe, membro
da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de
Dermatologia, explicou as principais doenças que promovem a vermelhidão da pele
e a quais sinais devemos ficar atentos para identificá-las.
Dermatite atópica -
Também conhecida como eczema, a dermatite atópica é um dos tipos mais comuns de
dermatite. É uma doença crônica que causa inflamação na pele, resultando em
lesões avermelhadas que apresentam crostas, coçam e descamam. A causa exata
dessa doença ainda é desconhecida, mas geralmente está ligada a predisposição
genética ou a outras doenças como asma e rinite alérgica. “A dermatite
atópica é mais comum na infância, podendo desaparecer ou piorar com o tempo. Seu
tratamento consiste no uso de hidratantes, cremes com corticoides e
anti-histamínicos orais visando o controle da coceira e a redução da inflamação
da pele. Além disso, é importante também fortalecer a barreira da pele,
evitando o contato com substâncias alergênicas como pólen, poeira, areia e produtos
de limpeza”, explica a dermatologista.
Rosácea - A
rosácea é uma condição que provoca vermelhidão no rosto, com pápulas e pústulas
que lembram as espinhas da acne. Ocorrendo principalmente em adultos entre 30 e
50 anos de idade, a causa da condição é desconhecida, mas estudos apontam para
uma combinação de fatores hereditários e ambientais que podem desencadear ou
agravar a rosácea, como temperaturas altas, exposição ao sol, estresse, álcool
ou o uso de corticosteroides e medicamentos vasodilatadores. “Apesar de a
rosácea não ter cura, sendo assim necessário o tratamento contínuo da doença, é
possível controlar os sintomas através de produtos tópicos que visam à
diminuição da inflamação, como metronidazol, ácido azelaico, peróxido de
benzoila e retinoides”, completa a médica.
Dermatite Seborreica
– A dermatite seborreica é uma inflamação caracterizada pelo surgimento de
manchas descamativas e vermelhas na pele em áreas como sobrancelhas, cantos do
nariz, orelhas e, principalmente, couro cabeludo. A causa da condição ainda não
é totalmente conhecida, mas pode ter relação com a genética e fatores externos,
como alergias, situações de estresse emocional e o fungo Pityrosporum ovale.
“Por ser crônica, a doença não tem cura. Logo, o tratamento é focado no controle
da condição e inclui, na maioria das vezes, o uso de shampoos e cremes que
contenham ingredientes como ácido salicílico, alcatrão, selênio, enxofre, zinco
e antifúngicos, além de corticoides específicos indicados pelo dermatologista”,
afirma a Dra. Thais.
Psoríase – Crônica,
autoimune e não contagiosa, a Psoríase é uma doença que faz com que o corpo
produza novas células de pele rapidamente, o que leva, consequentemente, ao
surgimento de lesões avermelhadas e descamativas, principalmente em áreas como o
couro cabeludo, cotovelos, joelhos, pés, mãos, unhas e a região genital. Apesar
de ter causa desconhecida, sabe-se que a condição está relacionada ao sistema
imunológico, às interações com o meio ambiente e ao fator genético. “O
tratamento da psoríase consiste na redução da inflamação e na regularização da
aparência da pele, o que pode ser feito através da utilização de pomadas e
cremes tópico, da fototerapia ou de medicamentos sistêmicos, que são aqueles de
uso oral, subcutâneo, intramuscular ou intravenoso”, explica a especialista.
Dermatite de contato
- A dermatite de contato, como o nome sugere, é desencadeada pelo contato
da pele com alguma substância que provoca uma reação local, com o surgimento de
placas vermelhas, coceira, bolhas, inchaço, queimação e ressecamento do tecido
ao redor da lesão. “O tratamento convencional para o problema é através do uso
de medicamentos na forma de pomadas ou cremes, que serão aplicados diretamente
sobre as áreas afetadas. Além disso, podem ser prescritos remédios orais e
outras formulações tópicas com antibióticos para evitar o estabelecimento de
infecções. Em casos mais sérios, o tratamento pode ser realizado através de
fototerapia, procedimento em que são usadas luzes especiais com ação
anti-inflamatória e imunossupressora para dar fim a manifestação alérgica”,
destaca a dermatologista.
Lúpus - Autoimune,
o Lúpus é uma doença em que o sistema imunológico ataca e destrói alguns
tecidos e órgãos saudáveis do corpo, o que pode causar vermelhidão e inchaço na
pele. “Não há cura definitiva para o lúpus, sendo assim o principal objetivo do
tratamento controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida das pessoas com
a doença. O dermatologista, por exemplo, pode indicar pomadas, cremes e
fotoprotetores para diminuir a vermelhidão e as lesões da pele, trabalhando em
conjunto com outros profissionais da saúde para o tratamento geral do lúpus”,
afirma a Dra. Thais Pepe.
Segundo a dermatologista, além das doenças, alguns
medicamentos, como a hidrocortisona, também podem causar reações, que incluem
vermelhidão e queimaduras, se forem utilizados de maneira incorreta.
“Independentemente da causa, o mais importante é que, ao notar qualquer
alteração em sua pele, você consulte um dermatologista imediatamente. Apenas
ele poderá realizar uma avaliação e indicar o melhor tratamento para o seu
caso”, finaliza.

Comentários