ALIMENTAÇÃO & NUTRIÇÃO

Pele seca: um manual de cuidados para o tipo de pele que mais sofre no inverno

Com o clima mais seco e o tempo mais frio, a pele seca sofre com a perda de água e tem maior dificuldade na formação da membrana de proteção.

Pele seca: um manual de cuidados para o tipo de pele que mais sofre no inverno

Com o clima mais seco e o tempo mais frio, a pele seca sofre com a perda de água e tem maior dificuldade na formação da membrana de proteção. Dermatologista indica uma rotina de cuidados para evitar que a pele seca fique desidratada no inverno.

Quem tem a pele mais seca sabe que os cuidados devem ser redobrados no inverno. "Essa é uma pele que tem deficiência em produzir gordura de boa qualidade, os famosos ácidos graxos ou ômegas que, em conjunto com a água, formam uma membrana hidrolipídica, que reveste nosso tecido e proporciona uma aparência luminosa", explica a dermatologista Claudia Marçal, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia. Mais áspera e mais sensível, essa pele também tende a apresentar rugas mais precoces e ficar avermelhada com maior facilidade. "É uma pele mais pergaminácea, tem uma epiderme fina e, ao mesmo tempo, uma textura mais heterogênea. Ela forma uma aspereza por falta de hidratação e existe uma maior perda de água, uma vez que a membrana lipídica não consegue mais segurar essa água nas camadas mais profundas, ou seja, na derme", complementa.

E é aí que mora o problema! Todos esses fatores tornam essa pele mais suscetível aos agressores ambientais. "O paciente, muitas vezes, apresenta mais desconforto quando a temperatura muda. E a dificuldade de formar essa membrana exige que essa pele seja muito bem hidratada para prevenir o aparecimento de manchas, linhas finas e rugas", explica. "E durante a época do inverno esses produtos devem ser enriquecidos, ou seja, as formulações devem ter uma textura mais voluptuosa, mais rica, que realmente filme a pele, que deixe sobre a pele um manto filmógeno, uma parede de defesa que consiga repor e segurar água para evitar a perda transepidérmica." A dermatologista ressalta a importância de proteger a pele contra os agressores ambientais (como poluição, raios UV e clima seco do inverno) e recomenda algumas dicas na rotina diária de beleza:

Higienização — "O sabonete líquido para a pele seca não deve ter qualquer agente agressor. Indico as loções e emulsões de limpeza, os sabonetes cremosos ou os líquidos à base de extratos calmantes como calêndula, camomila, aloe vera; é um tipo de pele que a gente deve usar sempre água fria (nem água quente nem gelada, de morna para fria) para lavar o rosto", explica.

 Tonificação — "É uma pele em que não deve ser usado o esfoliante principalmente no inverno; então logo após o uso do sabonete, devemos limpar com tônicos calmantes hidratantes à base justamente de fatores de hidratação, de aminoácidos e de extratos calmantes. Esses tônicos não devem ter álcool em hipótese nenhuma", comenta.

 Hidratação — Aqui é o ponto chave do tratamento. "Hidratantes com veículos um pouco mais ricos em lipídios e hidratantes com substâncias que tenham a capacidade de segurar a água nessa pele devem estar nessa formulação para ajudar a formar a membrana hidrolipídica", indica. A hidratação deve ser logo após a tonificação. "Isso acontece porque logo depois de lavar o rosto — nos primeiros 3 a 5 minutos — os corneócitos (que são as células mais periféricas) estão mais maleáveis e facilitam a capacidade de absorção — então a pele tem maior tendência de absorver esses elementos que vão segurar água na camada dérmica e epidérmica", garante. Quanto aos ativos, os hidratantes devem ser ricos em ácido hialurônico de baixo peso molecular Hyaxel, Progenitrix, aminoácidos essenciais, proteínas, peptídeos, ácidos graxos essenciais (ômega-3), vitaminas E e C e oligoelementos como zinco, cobre, ferro, selênio e silício.

A dermatologista Dra. Claudia Marçal comenta que, após a hidratação da pele, deve-se passar um creme específico para a região da área dos olhos e, dependendo da faixa etária do paciente, o ideal é que ele passe também um creme específico para a área de pescoço/colo. "E o que eu sempre digo: tudo que acabou de ser passado na unidade anatômica de envelhecimento (rosto, pescoço e colo) deve ser utilizado nas mãos para hidrata-la".

"No período noturno, o processo deve ser refeito: lavar o rosto, limpar a pele com uma loção tônica, passar creme para a área dos olhos, creme nutritivo para a noite e um creme específico para a área dos olhos e um específico para pescoço e colo. Dependendo da orientação do especialista, do dermatologista, essa pele pode utilizar ácidos em concentrações baixas — nunca todos os dias, no máximo duas a três vezes por semana, sempre acrescido de muita hidratação e nutrição: isso é o mais importante para esse tipo de pele".

Fotoproteção — Assim que a pele for hidratada, deve-se esperar alguns minutinhos para passar o fotoprotetor, que deve ser diário. "Nós sabemos hoje que não só a luz ultravioleta, infravermelho, como também a luz visível, são capazes de trazer danos de fotoenvelhecimento para a pele, além do câncer. Essa pele tem que receber filtros solares com índice normalmente acima de 30. O uso de produtos antioxidantes como a Vitamina C e E, de forma anterior ao fotoprotetor, ajudam a proteger a pele contra os malefícios dos raios UV", explica. Os filtros solares podem ser pigmentados ou a paciente pode usar logo em seguida a sua maquiagem. "No caso do fotoprotetor, então a textura tem que ser mais cremosa, em que exista água e óleo em partes semelhantes, para fazer uma blindagem, um filtro de proteção, um escudo contra os agressores ambientais", explica.


De dentro para fora — "Quase sempre essas peles devem ser tratadas não só do ponto de vista local, mas também do ponto de vista via oral. Então, a ingestão de água em maior quantidade, alimentos ricos em ômegas como castanhas, abacates, azeite de oliva, muitas frutas e legumes, alimentação funcional com os grãos, elementos que tragam vitaminas e minerais com a capacidade cicatricial, regeneradora, reparadora e de defesa imunológica", finaliza.

 

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