Fortes cólicas e dificuldade para engravidar podem se tornar um problema na vida das mulheres, que nas últimas décadas se dividem cada vez mais entre o trabalho e o lar. Os sintomas algumas vezes podem mascarar a endometriose, doença que, aumenta em 76% as chances de um aborto espontâneo e triplica a probabilidade de uma gestação fora do útero, também conhecida como gravidez ectópica ou tubária. Isso é o que afirma um estudo escocês apresentado no Encontro Anual da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia, em 2015.
O estudo que durou 30 anos e acompanhou 15 mil pacientes, analisou dois grupos de mulheres, com e sem endometriose, e naquelas com diagnóstico prévio da doença foi identificada uma maior probabilidade de hemorragia pré e pós-parto, além do nascimento prematuro dos bebês. Somados a estes problemas, de acordo com a Sociedade Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva (SBE), 50% das mulheres diagnosticadas com endometriose podem se tornar inférteis.
Além da cólica e da dificuldade em conceber uma gestação, a enfermidade causa outros sintomas, como ressalta o Dr. Mauricio Abrão, professor associado do Departamento de
Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e responsável pelo Setor de Endometriose do Hospital das Clínicas da USP, "a paciente pode ter dores durante as relações sexuais e na região do baixo ventre (espontaneamente). Além disso, pode haver desconforto para evacuar, tendo a possibilidade de ser acompanhado de diarreia, e para urinar, especialmente no período menstrual".
A endometriose consiste na presença do endométrio, a camada interna do útero, fora do órgão. O endométrio é a parede que reveste o útero internamente e tem como função afixar o embrião quando o óvulo é fecundado. Quando não há gravidez essa camada descama e é expelida em forma de menstruação.
Apesar de não estar ligado ao útero, o endométrio localizado em outras áreas do abdômen também descama e sangra dentro do corpo da paciente, provocando inflamação, dor e a formação de tecidos cicatriciais.
Segundo a Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) a endometriose atinge um número em torno de 7 milhões de brasileiras, ou seja 15% das mulheres do país. Apesar disso, 55% das mulheres entrevistadas em uma pesquisa realizada pela SBE em parceria com a Bayer, desconhecem a doença e 66% delas não associam os sintomas que sentem à endometriose.
A doença pode se apresentar de 3 formas diferentes, sendo a mais comum a endometriose peritoneal, que atinge o peritônio, o revestimento da cavidade abdominal. Ainda é possível desenvolver endometriose profunda ou a doença ovariana.
A pesquisa SBE também revelou que as mulheres que sofrem com os sintomas da endometriose são 38% menos produtivas do que as mulheres que não possuem a doença.
Segundo a entidade, o principal impasse para a melhorar a qualidade de vida dessas pacientes está na falta de informação, esse fator atrasa o diagnóstico da doença que só acontece quando a mulher está próxima dos 30 anos. Por esse motivo, a SBE estima que 40% a 50% das adolescentes que tem cólica podem estar sofrendo com a endometriose.
Não há cura, mas existe tratamento
A endometriose não tem cura, no entanto existem algumas opções de tratamentos disponíveis que devem ser decididos levando em consideração o objetivo da paciente. Um método tradicional para o tratamento da patologia é a cirurgia. O procedimento tem como objetivo retirar os focos de endométrio de maneira cirúrgica, porém a recorrência do tecido obriga a paciente a realizar diversas cirurgias ao longo da vida.
Outra opção muito indicada é o uso de terapias medicamentosas que possuem eficácia comprovada no combate à dor. Entre os que estão disponíveis no mercado brasileiro, está o Allurene® (dienogeste), primeiro tratamento clínico de longo prazo, ministrado por via oral com dose única diária, indicado especificamente para endometriose.
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