SAÚDE

Consumo excessivo de carboidratos pode estar conectado a epidemia de diabetes e obesidade

O diabetes representa um sério problema de saúde individual e populacional, não apenas pelo aumento global de sua frequência, que alcanca proporções epidêmicas, mas também pelas complicações

Consumo excessivo de carboidratos pode estar conectado a epidemia de diabetes e obesidade

O diabetes representa um sério problema de saúde individual e populacional, não apenas pelo aumento global de sua frequência, que alcanca proporções epidêmicas, mas também pelas complicações debilitantes que pode desencadear. No Brasil, cresce a cada ano o número de pacientes e conforme indica dados divulgados pelo Ministério da Saúde, atualmente 13 milhões de pessoas têm diabetes no país.

Apesar de ser uma orientação ainda polêmica, estudos publicado pelo Grupo Finlandês de Prevenção do Diabetes, pesquisadores demonstraram que a instalação do diabetes no adulto pode ser retardada, ou até mesmo evitada, através de mudanças alimentares e aumento de atividade física. Os especialistas explicam que o consumo excessivo de carboidratos e industrializados e a gradativa redução de gorduras saudáveis, proteinas, verduras e frutas do cardápio são alguns dos principais equívocos.

Os produtos derivados do trigo são os principais alvos do debate entre profissionais da área da nutrição. Amplamente consumidos, segundo pesquisadores, esses alimentos são repletos de um açúcar chamado amilopectina, que eleva a glicose no sangue mais do que o açúcar comum. Essas elevações do açúcar no sangue, com o passar do tempo, leva a chamada resistência à insulina, condição inflamatória que predispõe a doenças como obesidade, diabetes tipo 2, pressão alta e triglicerídeos elevados.

Para o Presidente do Instituto Nacional de Estudos da Obesidade e Doenças Crônicas (INEODOC), o médico Patrick Rocha, a abordagem atual da medicina e nutrição para o diabético é muito problemática, pois foca no tratamento medicamentoso e ignora os estudos e evidências científicas mais atuais que tratam sobre hábitos que comprometem o tratamento. Segundo ele, o aspecto mais importante, tanto para a prevenção, quanto para o tratamento da doença é a alimentação.

"Pratica-se no Brasil uma alimentação de cinco décadas de atraso, com falta de orientação as pessoas sobre todos os aspectos que envolvem a saúde do diabético e pré-diabético. O tratamento de pacientes com diabetes não se trata apenas de prescrever medicamentos, mas também de uma educação alimentar e buscar ações preventivas. Muitos pacientes tem seus casos agravados por falta de informação, o que os leva a aumentar cada vez mais a dosagem das medicações e a sofrer de diversas complicações", destaca Dr. Patrick Rocha.

De acordo com a Associação de Diabetes Juvenil são cerca de um milhão de crianças diabéticas no Brasil, e provavelmente, o que já aponta para o risco de uma epidemia de sobrepeso e obesidade em crianças. Até alguns anos atrás, crianças e adolescentes apresentavam apenas Diabetes tipo 1, e nos últimos anos cresceu consideravelmente o número de casos de crianças e adolescentes que apresentam os dois tipos de diabetes.

Segundo Dr.Rocha, os primeiros passos para quem deseja abandonar o consumo de trigo e não é diabético pode começar usando a tapioca (massa fina) no lugar do trigo. Mas o ideal é retirar tudo que houver trigo e focar nas gorduras saudáveis e proteínas de alto valor biológico (ovos, óleo de coco, carnes de animais que pastam, abacate, etc). "Os carboidratos fibrosos também são importantes para a saúde, como as hortaliças em geral. As omeletes recheadas de queijo, carne, brócolis e outros legumes são uma excelente opção", completa o médico.


 

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