Muitas pessoas usam óculos de grau, sem nenhum constrangimento, inclusive com armações modernas e coloridas. Então por que no caso da deficiência auditiva ainda existe tanta resistência no uso de aparelhos de audição? Hoje em dia eles também são discretos, minúsculos e muitos nem aparecem no ouvido. O fato é que apenas 40% das pessoas com perda auditiva reconhecem que ouvem mal. A falta de informação e o preconceito fazem com que a maioria demore, em média, seis anos para tomar uma providência. Ao sentir alguma dificuldade para ouvir, a pessoa deve consultar um médico otorrinolaringologista, que irá avaliar a causa, o tipo e o grau da perda auditiva. A partir do resultado de testes como o de audiometria, feito por fonoaudiólogos, será indicado o tratamento mais adequado.
Muitas vezes, o uso de aparelho auditivo dá suporte às dificuldades. “Não há demérito algum em usar aparelho auditivo. Atualmente, existem aparelhos modernos, como os da Telex, com tecnologia digital e quase imperceptíveis, que não ofendem a vaidade de quem usa. Alguns modelos são, inclusive, invisíveis no ouvido pois são intraauriculares - ficam dentro do canal auditivo. Por que não fazer uso dessa tecnologia e ouvir melhor, sentindo-se mais confiante para conversar com os familiares, amigos e colegas de trabalho? O aparelho contribui para melhorar a autoestima e a qualidade de vida", afirma a fonoaudióloga Marcella Vidal, da Telex Soluções Auditivas. À medida em que o indivíduo envelhece, as células ciliadas da orelha interna começam a degenerar, mas algumas pessoas perdem a audição mais cedo e mais rápido do que outras.
Muitos começam a sentir o problema quando estão na "casa" dos 30 a 40 anos. Pesquisas indicam, inclusive, que o hábito dos jovens em ouvir música por meio de fones de ouvido deve acarretar perdas auditivas cada vez mais cedo na população adulta. Atualmente, um em cada cinco adultos tem problemas auditivos e mais da metade das pessoas com idade acima de 80 apresenta dificuldades para ouvir. São mais de 15 milhões de brasileiros com dificuldades auditivas, segundo dados da Organização Mundial de Saúde. Neste balanço estão incluídos os 12 millhões com mais de 65 anos. No caso dos idosos, o deficit de audição ocorre geralmente por causa de mudanças degenerativas naturais do envelhecimento, chamadas de presbiacusia. A maioria das pessoas com presbiacusia começa a perder a audição quando há um declínio na capacidade de ouvir sons de alta freqüência (uma conversação contém sons de alta freqüência). Portanto, o primeiro sinal pode ser a dificuldade de ouvir o que as pessoas dizem para você. Os sons da fala com mais alta freqüência são as consoantes, como o S, T, K, P e F. Quando a indicação é o uso de aparelho auditivo, alguns pacientes se sentem punidos por isso. "Infelizmente, muitas vezes, quando se procura tratamento, o caso já está grave. A perda de audição se dá de maneira lenta e progressiva e, com o decorrer dos anos, a deficiência atinge um estágio mais avançado", explica Marcella Vidal, especialista em audiologia. Cabe aos fonoaudiólogos indicar qual modelo de aparelho é indicado para atender as necessidades de cada pessoa.
O aparelho será então regulado para tornar os sons audíveis para o paciente. Marcella Vidal lembra, no entanto, que nem sempre o ajuste certo é obtido nos primeiros dias de uso: "Alguns passam tantos anos sem ouvir direito que estranham quando voltam a escutar determinados sons. Por isso, é necessário um acompanhamento por parte do fonoaudiólogo”, explica. Com a vida moderna e agitada de hoje em dia, a quebra do preconceito em relação ao uso de aparelhos de audição é fator primordial para que o indivíduo aceite sua limitação auditiva e procure ajuda. "A audição é fundamental para mantermos uma boa comunicação em nosso dia-a-dia, seja em casa, no trabalho ou no convívio social; e atualmente os aparelhos são muito melhores do que aqueles de quinze, vinte anos atrás, tanto em termos de tecnologia quanto de design. Então, por que não pensar no assunto e buscar ajuda?, conclui a fonoaudióloga.

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