ENTENDA TUDO SOBRE

Entenda tudo sobre: Otite

Uma inflamação nos ouvidos que pode gerar muito desconforto. Conheça tudo sobre a doença e aprenda a cuidar do problema!

Entenda tudo sobre: Otite A otite externa, que na maioria das vezes ocorre devido à alteração no sistema de defesa contra bactérias da própria orelha, pode se tornar crônica ca
Crédito: BANCO DE IMAGENS

1 - O QUE É?

A otite é qualquer tipo de inflamação relacionada aos ouvidos, podendo ou não ter supuração (saída de pus). Segundo a Profª. Dra. Claudia A. Eckley, Médica Sênior do Setor Otorrinolaringologia Fleury Medicina e Saúde “As otites podem ser classificadas pela parte do ouvido que acometem e pelo seu tempo de duração. As otites externas são aquelas que atingem o canal externo do ouvido – da entrada na orelha até o tímpano. As otites médias atingem o tímpano ou a orelha média – cavidade atrás do tímpano. Quando a otite dura até quatro semanas é considerada aguda, independentemente da localização e quando dura mais de seis semanas é considerada crônica. A otite secretora é um dos tipos de otite média crônica não infecciosa”.

O médico otorrinolaringologista do Hospital Paulista de Otorrinolaringologia, Dr. Rodrigo Bastos, revela que as principais otites que se depara em sua rotina profissional são as otites agudas, já que apresentam maior incidência na população.

Para a Dra. Paula Tardim Lopes, membro da Fundação Otorrinolaringologia, as otites externas podem acometer o canal da audição até a membrana timpânica, sem ultrapassá-la e as otites médias acometem a orelha média, onde estão localizados os ossinhos da audição e a membrana timpânica. “Essa inflamação pode produzir secreção purulenta, a otorreia, se estiver associada à infecção bacteriana e geralmente causa dor, podendo reduzir a audição, uma vez que a secreção dificulta a vibração dos ossinhos e a condução do som pela membrana do tímpano para dentro da orelha”, complementa.

2 - QUAL OTITE EU TENHO?

Segundo a Profa. Dra. Claudia Eckley, a maioria das otites externas ocorre por excesso de manipulação dos ouvidos com cotonetes ou objetos pontiagudos – causando arranhões na pele do canal e permitindo a entrada de bactérias e infecção. Outra causa comum da otite externa é a entrada de água seguida de manipulação excessiva.

Nos casos de otite média, a Dra. Claudia afirma que podem ser inflamatórias ou infecciosas, mas envolve acúmulo de líquido atrás da membrana timpânica, podendo causar abafamento da audição e, nos casos agudos, dor intensa. “Isto ocorre devido à comunicação interna existente entre nariz e ouvidos, chamada de tuba auditiva interna. Em circunstâncias normais as tubas auditivas servem para levar ar às orelhas médias. Percebemos bem essa função quando descemos a serra ou mergulhamos, sentindo pressão nos ouvidos, que é aliviada após assoprar com as narinas ocluídas. Esta manobra (de Valssalva) força o ar do nariz para dentro da orelha. No entanto, quando o nariz está obstruído e com catarro, podemos forçar secreção e bactérias para dentro da orelha média, gerando a otite média infecciosa”, detalha a Dra. Claudia A. Eckley.

3 - QUANTO TEMPO DURA?

Como já dito anteriormente existem variações da doença em decorrência do tempo e elas podem ser aguda ou crônica, sendo crônica o processo inflamatório com mais de três meses de sintomas, com otorreia ou perfuração da membrana do tímpano ocasionado pela infecção, por um trauma local com instrumentos ponte agudos ou por impacto na cabeça.

Dra. Paula destaca que em alguns casos, a otite média crônica com perfuração da membrana timpânica pode estar associada a inflamação do osso da mastoide – o osso que abrange a orelha – e este processo é conhecido como otomastoidite.

Devemos ficar atentos principalmente nas crianças se, além de dor, percebermos que existe abaulamento e vermelhidão atrás da orelha, pois indicará maior gravidade. Esse tipo, pode apresentar formação cística dentro da orelha com acúmulo de tecido de pele em local onde geralmente não deve existir, funcionando como uma espécie de ‘cárie’ dentro do osso mastoideo. Essa ‘cárie’, a colesteatoma, corrói as estruturas internas da orelha, sendo que a cárie de pior evolução pode levar a complicações intracranianas (abcesso intracraniano, meningite, fistula liquórica, paralisia facial e labirintite infecciosa), complicações estas que demonstram a gravidade da doença e a necessidade de detecção precoce.

“A otite externa, que na maioria das vezes ocorre devido à alteração no sistema de defesa contra bactérias da própria orelha, pode se tornar crônica caso persista o fator causal agressor. Por exemplo, nadadores frequentemente apresentam otites externas, pois a entrada de água no canal da orelha altera a acidez e propicia o crescimento de bactérias ou fungos oportunistas, bem como o ambiente úmido e muitas vezes escasso de cerume (cera tão importante produzida que mantêm essa acidez adequada e protetora contra as infecções)”, completa a especialista.

4 - OS SINTOMAS?

Para a Dra. Claudia A. Eckley na otite média, os principais sinais clínicos aparecem no decorrer da gripe e incluem dor de intensidade variada, redução da audição, inquietude, perda de apetite e geralmente febre, podendo haver eliminação de secreção pela orelha. As crianças pequenas também manifestam eventualmente vômitos e diarreia.

Já na otite externa, costuma existir dor severa, às vezes precedida de coceira e abafamento do som. Nesta, não há febre nem história de quadro viral e ter frequentado mar e/ou piscina é um fato corriqueiro.

Independentemente da porção afetada, a otite decorre da infecção por fungos, vírus e bactérias. Na externa, esses micro-organismos alcançam a orelha por meio de lesões locais que a própria pessoa faz ao usar cotonetes e coçar a região, assim como o contato com água contaminada, do mar ou piscinas e pela introdução de corpos estranhos no ouvido.

Já a otite média costuma surgir como uma complicação secundária de outras infecções respiratórias. O micro-organismo envolvido sobe pela tuba auditiva e determina acúmulo de pus dentro da orelha média, cuja pressão causa dor e pode perfurar a membrana timpânica, dependendo da intensidade.

5 - QUEM É MAIS SUSCETÍVEL?

As otites podem atingir indivíduos de qualquer faixa etária, porém as crianças são as mais afetadas, devido à fácil comunicação das orelhas com a rinofaringe por um canal pequeno e reto, que é a tuba auditiva, facilitando a entrada de catarro nasal para dentro da orelha quando resfriada.

A Dra. Paula explica que, de modo geral, as otites de repetição incidem em crianças até três anos de idade, coincidindo com o período de diminuição das defesas imunes transferidas pela mãe através do leite materno pelo desmame precoce ou a não amamentação.

Outras doenças como diabetes mellitus, hipotireoidismo e doenças auto-imunes também são determinantes na gravidade e evolução das otites crônicas nos pacientes, que devem ser tratados com atenção redobrada.

Já nos casos de otites externas Dr. Rodrigo complementa dizendo que esta variação conhecida por ‘otite do nadador’, atinge cerca de uma a cada 100 pessoas anualmente e acomete a parte externa do ouvido. “A maioria dos casos ocorre nos meses de verão ou em regiões de clima quente, tendo relação com maior exposição às atividades aquáticas recreacionais. A prática inadvertida e frequente de remoção da cera do ouvido, por meio do uso de cotonetes ou outros objetos, pode levar à ocorrência da otite externa”.

6 - O DIAGNÓSTICO E O TRATAMENTO

Para combater o desconforto que a otite causa é necessário procurar um especialista e fazer diagnóstico com base nos sintomas e exames clínicos – que permitem a visualização do interior do ouvido.

Cada variação da doença necessita de uma forma de tratamento diferente, a Dra. Paula Tardim Lopes revela na otite aguda o tratamento abrange o uso de gotas otológicas com antibiótico – quando o processo é externo e a associação ao uso de antibiótico oral. Mas, se o acometimento é maior, utiliza-se analgésicos, anti-inflamatórios e medidas alternativas para redução da dor, como aplicação de compressas mornas locais. Para os casos crônicos e de colesteatoma o tratamento é cirúrgico e individualizado para cada situação e gravidade.

7 - FIQUE LONGE DE MIM

Para a otite não se aproximar algumas atitudes são necessárias: “É possível se prevenir com as mudanças nos hábitos de limpeza das orelhas. Os cotonetes têm que ser abolidos, pois, além de retirar a cera que protege o ouvido dos agressores externos, pode empurrá-la para dentro do meato acústico externo e provocar outros problemas”, destaca a Dra. Claudia.

A especialista acrescenta que uma forma importante de evitar otite nas crianças que ainda mamam é não deixar que tomem a mamadeira deitadas, já que essa posição facilita o refluxo pela tuba auditiva até a orelha média. Além disso, recomenda-se vacinar os pequenos contra a gripe anualmente e não fumar em sua presença, essas medidas ampliam a proteção contra infecções respiratórias.

Já para os adultos, a Dra. Paula dá algumas dicas.“Evite pingar dentro das orelhas qualquer solução caseira, álcool ou medicamentos sem orientação médica; não lave dentro das orelhas durante o banho; procure um serviço de fonoaudiologia que confeccione um molde de silicone do formato da sua orelha para poder protegê-la da água, caso tenha atividades aquáticas como prática frequente ou seja nadador; trate adequadamente os resfriados e gripes, seguindo orientações médicas e sempre lavando o nariz com soro fisiológico; higienize sempre com água morna e sabão ou álcool os fones de ouvidos, protetores auriculares e evite compartilhá-los; higienize os aparelhos auditivos, conforme recomendações médicas e fonoaudiológicas; controle outras doenças como o diabetes que pode propiciar o surgimento de infecções”.

Vale lembrar que sempre que sentir dor ou desconforto, evite se automedicar e procure um especialista. A prevenção também se baseia em um atendimento precoce!

FONTES CONSULTADAS:

Dra. Paula Tardim Lopes: Otorrinolaringologista, especialista em otologia e neurotologia e doutoranda pela Faculdade de Medicina da USP-SP, com atuação no grupo de Implante Coclear do Hospital das Clínicas de São Paulo. CRM-SP 145675

Profª. Dra. Claudia A. Eckley: Doutora em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e Médica Sênior Setor Otorrinolaringologia Fleury Medicina e Saúde. CRM: 70388

Dr. Rodrigo Bastos: Graduado em Medicina pela Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ) e Médico Otorrinolaringologista do Hospital Paulista de Otorrinolaringologia. CRM: 145713

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