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Entenda tudo sobre: Glaucoma

Uma doença silenciosa que é a segunda maior causa de cegueira no mundo

Entenda tudo sobre: Glaucoma A genética é um dos principais fatores, se o indivíduo tem familiares de primeiro grau com glaucoma, às chances de desenvolver a doença são maiores.
Crédito: BANCO DE IMAGENS
1 - Já ouviu falar?

O glaucoma é um conjunto de doenças que resultam em neuropatia óptica, ou seja, uma lesão no nervo óptico – que aumenta a pressão intraocular, causando perda gradativa na visão e podendo levar até a cegueira. 

"Atualmente, a doença é a segunda maior causa de cegueira no mundo, sendo superada apenas pela catarata. Dentro desse grupo de doenças, se destaca o 'glaucoma primário de ângulo aberto - GPAA', como sendo o mais prevalente", explica o Dr. Danilo Andriatti Paulo, especialista em Glaucoma e Neuro-oftalmologia do Hospital Olhos Paulista.

2 - Quais os tipos de glaucoma?

Segundo Dr. Célio Heitor, oftalmologista do Instituto Panamericano da Visão, existem quatro tipos desta doença: o glaucoma primário de ângulo aberto, o glaucoma de ângulo fechado, o glaucoma secundário e o glaucoma congênito.

Para entendermos a diferença entre glaucoma primário de ângulo aberto e de ângulo fechado, temos que compreender o que é o ângulo. Segundo Dr. Danilo, existe uma câmara anterior no olho humano, na parte da frente do olho, formada pela íris e pela córnea – o ângulo entre essas duas estruturas é o responsável pela absorção do líquido que produzimos dentro do olho, o humor aquoso. 

Se a câmara anterior é ampla, possivelmente o ângulo está aberto e está drenando. Se o ‘ralo’ não está funcionando, o humor aquoso não drena e, consequentemente, a pressão intraocular sobe, sendo isso um indício de glaucoma – glaucoma primário de ângulo aberto. Neste caso, geralmente, a pressão intraocular sobe devagar, pois depende de um ‘ralo’ que aos poucos está parando de funcionar, o que torna a doença assintomática e imperceptível.

Se a câmara anterior é estreita, possivelmente, o ‘ralo’ está tampado pela íris, então o humor aquoso não drena e a pressão sobe – isso seria o glaucoma primário de ângulo fechado. Neste caso pode-se ter dor ocular constante, pois a íris pode fechar de vez o ralo, fazendo a pressão subir rapidamente.

Nos casos de glaucoma secundário, Dr. Danilo Andriatti revela que diversas doenças oculares e sistêmicas, além uso de medicamentos podem causar glaucoma. 

Mas, no caso do glaucomo congênito - que são raros - a Profª. Dra. Wil Lelis Barboza, explica que são crianças atingidas por esta doença. Esse tipo de glaucoma pode surgit no nascimento ou nos primeiros anos de vida, devido a uma má formação nos olhos, causando um aumento da pressão intraocular e consequentemente atrofia o nervo óptico.

3 – Quem pode ter glaucoma?

Segundo o Dr. Danilo Andriatti Paulo, a genética é um dos principais fatores, se o indivíduo tem familiares de primeiro grau com glaucoma, às chances de desenvolver a doença são maiores. Além disso, pressão intraocular, idade superior a 40 anos, etnia (mais prevalente na população afrodescendente) e doenças como miopia, diabetes e outras desordens vasculares são os outros fatores que podem resultar no aparecimento do glaucoma.

“A catarata, quando muito avançada, pode estar associada com o problema. Além disso, traumas oculares, uveítes (inflamações intraoculares), cirurgias de córnea e cirurgias de retina também”, afirma Dr. Danilo. Quanto às doenças sistêmicas, a diabetes descontrolada pode gerar o glaucoma neovascular, que é muito agressivo e que leva à cegueira na maioria dos casos.
 
Sabe-se que o glaucoma é uma doença silenciosa e por isso devemos consultar um especialista periodicamente, uma vez ao ano. “A maior parte dos casos de glaucoma, cerca de 80%, surgem nos idosos e não há uma causa bem identificada para o aumento da pressão intraocular. Essa forma é chamada de glaucoma primário de ângulo aberto, que acomete 3 a 5% da população acima de 60 anos”, alerta a Dra. Wilma Barboza.

4 - Quais são os sinais do glaucoma?

Ao conhecer um pouco mais sobre a doença vêm algumas dúvidas: como saber se eu tenho ou não? Uma das maneiras que às vezes buscamos para saber a resposta é observar se já apresentamos alguns sintomas. Mas, no caso do glaucoma primário de ângulo aberto - que é o tipo mais frequente da doença - não apresenta nenhum sintoma no início. "É quase sempre uma surpresa para o paciente quando o médico detecta sinais de glaucoma e de pressão intraocular elevada”, explica o Dr. Danilo Andriatti Paulo. O profissional afirma que essa pressão não costuma dar sintomas ao portador, pois sobe sutilmente ao longo da vida. Com o aumento da pressão, o nervo óptico tem suas fibras danificadas, o que leva a uma redução do campo visual, que o paciente não percebe de imediato, pois a perda de visão é periférica no começo. 

5 - Como é feito o diagnóstico? Como prevenir?

Infelizmente não tem como se prevenir da doença, o correto é consultar um médico oftalmologista - principalmente aqueles que têm os fatores de riscos descritos acima. Atualmente, o diagnóstico precoce é a melhor forma de se proteger contra o glaucoma. “Durante a consulta médica, o especialista deve associar o histórico familiar do paciente com suas doenças oculares e sistêmicas (prévias e atuais) e com a avaliação médica da pressão intraocular”, relata o Dr. Danilo Andriatti Paulo.

Já a Dra. Wilma Barboza esclarece que também existem outros exames complementares que podem auxiliar para fechar o diagnóstico e que também auxiliam no acompanhamento do tratamento dos pacientes - avaliando se estão ou não bem controlados. São a campimetria e os exames do nervo óptico - retinografia e tomografia de coerência óptica.

6 - O glaucoma pode causar cegueira?

A resposta para esta pergunta é sim.  Se o glaucoma não for descoberto a tempo ou até mesmo não tratado de maneira adequada, isso pode levar à cegueira.  “O aumento da pressão intraocular faz com que o nervo óptico perca suas fibras, uma por uma, de maneira lenta e contínua. Como o nervo óptico não regenera, a cegueira é irreversível. À medida que a doença evolui, o campo visual se estreita de forma progressiva, até que a pessoa enxerga como se estivesse olhando por um tubo, que, gradativamente, vai se afinando até atingir a visão central e cegar o paciente de vez”, esclarece o Dr. Danilo.

Já a Dra. Wilma deixa um alerta: “Devido o glaucoma ser uma doença assintomática, frequentemente alguns portadores negligenciam o tratamento, por isso é importante que os médicos orientem corretamente sobre a doença para que os pacientes cumpram seus tratamentos de forma adequada”, afirma.

7 - Como se livrar do glaucoma?

Diferentemente da catarata – a maior causadora de cegueira no mundo - que pode ser revertida através de cirurgia, o glaucoma não tem cura, apenas o controle da doença – com o auxílio de medicamento e (colírios para estabilizar a pressão intraocular) e laser ou cirurgias, que segundo a Dra. Wilma a forma de tratamento vai depender do tipo de glaucoma e de seu estágio, se está na fase inicial, moderada ou avançada.

“A partir do momento do diagnóstico, a pressão intraocular do paciente deve ser diminuída. Esse é o único tratamento para o glaucoma, que acontece com o uso de medicação na forma de colírios tópicos e, em alguns casos, cirurgias. Existem muitas pesquisas em andamento sobre o glaucoma, novos medicamentos sendo lançados e novas cirurgias chegando ao Brasil. Assim, o cenário está cada vez mais favorável para um melhor controle da doença e prevenção da cegueira”, complementa o Dr. Danilo. 

8 - Mantenha hábitos saudáveis 

Sabe-se que esta doença não tem cura e também não há uma forma de prevenção. Mas, uma maneira de minimizar as chances de desenvolver o glaucoma é deixando para traz os maus hábitos e se livrando do sedentarismo. 

Mantenha hábitos saudáveis, como praticar atividades físicas e uma alimentação balanceada. Um corpo blindado te manterá seguro de doenças como diabetes, hipertensão arterial ou aumento do colesterol, que podem carretar no surgimento do glaucoma. 

Mas, caso você seja portador do glaucoma, a Dra. Wilma aconselha que manter uma boa condição cardiovascular é fundamento para que haja um bom controle da doença.


FONTES CONSULTADAS:

Dr. Danilo Andriatti Paulo: Especialista em Glaucoma e Neuro-oftalmologia do H.Olhos Paulista. Profissional graduado pela Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP. CRM: 156461 – SP

Profa. Dra. Wilma Lelis Barboza: Presidente da SBG – Sociedade Brasileira de Glaucoma. 

Célio Heitor de Paula: Membro titular do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e das Sociedades Brasileira e Goiana de Oftalmologia. CRM: 1462 - GO

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