SAÚDE

Otoplastia é opção para corrigir orelhas ''couve-flor''

Lutadores de jiu-jitsu e MMA (Mixed Martial Arts) são reconhecidos facilmente e não é só pelo corpo com músculos bem definidos e a cara de mau e sim pelas famosas orelhas ?couve-flor?, encaradas como troféus de dedicação ao esporte

Otoplastia é opção para corrigir orelhas ''couve-flor'' A otoplastia, geralmente utilizada nas orelhas de abano, é a mais indicada. O objetivo da cirurgia é dar forma e proporção às orelhas, sem deixar de l
Crédito: BANCO DE IMAGENS

 Lutadores de jiu-jitsu e MMA (Mixed Martial Arts) são reconhecidos facilmente e não é só pelo corpo com músculos bem definidos e a cara de mau e sim pelas famosas orelhas “couve-flor”, encaradas como troféus de dedicação ao esporte. 

Atletas como os irmãos Rodrigo Minotauro e Rogério Minotouro; Junior Cigano; Victor Belfort; Wanderlei Silva e até mulheres, como as americanas Leslie Smith e Ronda Rousey e a brasileira Gabi Garcia, já sofreram ou ainda sofrem com a deformação nas orelhas causadas pelo contato entre os lutadores, pelo atrito da orelha com kimono e pelo contato com o tatame, por exemplo.

O nome técnico da inflamação é condrite crônica e atinge a pele que envolve a parte mais flexível das orelhas, a cartilagem. Esse tecido conjuntivo da cartilagem é flexível, o que significa que uma quantidade grande de células está na região para dar sustentação e facilitar os movimentos. É por isso que você consegue mexer as orelhas para todos os lados.

Talvez você também já tenha notado que essa parte das orelhas é cheia de linhas vermelhas. Esses são os microvasinhos e estão ali porque esse tecido conjuntivo também contribui para que o sangue flua pelo corpo. Assim, conforme os impactos e os golpes modifica a aparência das orelhas, o tecido pode morrer, esse processo chamamos de necrose (pelo trauma repetitivo). A vida para essa área é trazida por uma nova cartilagem. Nos lutadores, esse processo ocorre várias vezes e reveste a orelha de “gominhos” que são resultado de cicatrizes repetidas no mesmo local, como se fosse um queloide, só que dentro da pele. Por isso que, popularmente, essas orelhas são conhecidas como “couve-flor”.

A condrite crônica não causa perda auditiva, mas pode diminuir levemente a audição nos casos mais extremos, quando a quantidade de gominhos é tão grande que “fecha” a orelha. Outros incômodos são dores e a maior facilidade de infecções, além da aparência não ser das mais agradáveis, nem para esses guerreiros dos tatames e octógonos. Por isso, muitos têm recorrido à cirurgia plástica.

QUERO MINHAS ORELHAS DE VOLTA!

A otoplastia, geralmente utilizada nas orelhas de abano, é a mais indicada. O objetivo da cirurgia é dar forma e proporção às orelhas, sem deixar de lado a naturalidade e a harmonia com o rosto. O procedimento é feito com anestesia local e sedação. É realizado um pequeno corte atrás da orelha para retirada do excesso de pele e modelamento da cartilagem. O processo demora, em média, uma hora.

Para que o resultado tenha impacto positivo para todos os envolvidos, o cirurgião plástico precisa deixar as orelhas o mais próximo possível da cabeça (hipercorrigidas), porque a cartilagem tem ‘memória’ e tende a voltar à posição em que estava antes. As recomendações médicas contribuem igualmente para recuperar o bom aspecto das orelhas. Uma delas é que o lutador deve ficar afastado dos treinos e das lutas por no mínimo dois meses para que a recuperação seja total. O uso da faixa também é indicado no primeiro mês, mas a boa notícia é que ela não precisa acompanhar o atleta em todos os momentos durante esse tempo. Na primeira semana, tem que ser usada por 24 horas, mas depois, só para dormir.

Uma curiosidade é que não são raros os casos de orelhas com esse tipo de inflamação que se rompem nas lutas. Isso acontece porque a região está sensível, como se fosse uma bexiga com água que, de acordo com o estímulo, pode estourar. Neste caso, é necessário passar por cirurgia e a recuperação demora, em média seis meses. Para os lutadores que não querem ter o descanso forçado, seja para corrigir a orelha “couve-flor” ou recuperá-la depois de uma ruptura, a dica é o uso dos protetores de orelhas.

Outra alternativa é a retirada do sangue acumulado na região até 24 horas depois do trauma ou antes que o sangue coagule, o que pode dificultar a drenagem. O procedimento é feito com agulhas de aspiração que, com o auxílio de uma seringa, “puxam” o sangue direto do trauma. O processo é bastante simples, mas nunca deve ser feito em casa ou na academia. Apenas profissionais habilitados, como médicos ou enfermeiros, estão autorizados a fazer essa extração, com materiais esterilizados!

Agora você já sabe como deixar as orelhas como eram antes das lutas e treinos. Para os atletas que se decidiram ou estão inclinados a fazer a otoplastia, eu deixo oito dicas de como tornar o pós-operatório mais agradável.

1 – Não fumar: uma das coisas mais importantes depois da cirurgia é parar ou diminuir muito o cigarro. Se possível, é bom suspender o fumo antes da otoplastia e combinar com o médico a necessidade de medicamentos para não ter tanta vontade de fumar.

2 – Ter uma alimentação saudável: não é porque está temporariamente longe das lutas e treinos que pode descuidar da alimentação. A nutrição e o aporte proteico e de vitaminas contribuem muito na cirurgia. Uma dieta rica em frutas, verduras e proteína, animal ou vegetal, é ideal.

3 – Dormir bem: pode parecer uma bobagem, mas cuidar da quantidade e da qualidade do sono é muito importante. As pessoas não se atentam para isso e acabam não tendo o sono REM (fase dos sonhos). O sono ideal é de oito horas ininterruptas.

4 – Ficar calmo: o paciente deve aproveitar esse momento da cirurgia para diminuir o ritmo e se autoavaliar, se sentir, se enxergar.

5 – Usar drogas: os alucinógenos causam desconexão e queremos que a pessoa esteja conectada. Dessa forma, mais rápida é a recuperação.

6 – Seguir as prescrições médicas: é fundamental para uma boa recuperação.

7 – Tratar bem da cicatrização: duas coisas que fazem com que ela fique com boa qualidade são a vascularização (aporte sanguíneo) e a tensão (quanto maior, mais alargada ficará a cicatriz). Por isso, não se deve expor a cicatriz a uma tensão excessiva, o que inclui os exercícios físicos.

8 – Usar produtos recomendados na cicatriz: sempre seguir a orientação do médico sobre placa de silicone, filme plástico cicatrizante, cremes para cicatriz e outros tratamentos para cicatriz hipertrófica e queloide, como laser de CO2, dermaroller, infiltração de triancinolona, betaterapia. Além disso, é fundamental usar o curativo de micropore pelo tempo estipulado pelo médico, se assim ele determinou.

 

Marco Cassol
É cirurgião plástico membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Com mais de 15 anos de experiência, é formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e especialista em cirurgia da face.

 

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