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05 de julho de 2017

Sintomas que surpreendentemente podem estar ligados à doença do refluxo

Especialista ajuda a identificar sintomas que podem ser confundidos com outros problemas

Sintomas que surpreendentemente podem estar ligados à doença do refluxo

Às vezes, o ácido que escapa do seu estômago pode atravessar a garganta, deixando um sabor amargo na boca.

Relatos de refluxo gástrico são corriqueiros, mas às vezes seus sintomas não são tão óbvios, apesar de fáceis de confundir com outros problemas. A sensação de queimação estomacal, relatada por 20% da população brasileira, é causada por uma falha no mecanismo responsável pela abertura da válvula esofágica. Esse defeito permite que o alimento digerido e o líquido estomacal voltem do estômago para a boca, trazendo o mal-estar.

“Sentir essa queimação parece algo simples, mas se não for tratada a azia crônica pode levar o paciente a desenvolver outro problema chamado esôfago de Barrett, uma mudança celular anormal que é uma fase precursora do câncer”, explica o cirurgião da clínica Franco & Rizzi, Gustavo Patury. De acordo com ele, sem o diagnóstico adequado, cerca de 10% dos pacientes evoluem para esse estágio perigoso. “A princípio, o tratamento do problema é clínico e se não funcionar é indicada a cirurgia videolaparoscópica", avalia. 

Por isso, a azia recorrente pode ser indício de refluxo gástrico. No entanto, esse não é o único sintoma da doença. “Alguns desses sintomas, inclusive, podem ser confundidos com outros problemas e é preciso ficar atento e sempre buscar a ajuda médica”, diz Patury. Conheça abaixo os mais comuns: 

Dor no peito – Ela ocorre quando o ácido do estômago espirra no esôfago - sintoma clássico de refluxo ácido. Essa dor pode ser mais intensa do que o esperado. “Muitas pessoas confundem azia com um ataque cardíaco”, diz o cirurgião. “Nunca ignore uma dor no peito, especialmente se piorar quando se exercita. Então, certifique-se com seu médico que não está tendo um ataque cardíaco e se a dor é causada por refluxo”. 

Sintoma piora quando se está em repouso - O ácido tem  mais chances de escapar do esôfago quando você se deita ou se inclina, causando azia. “Ao ficar sentado, a gravidade ajuda a manter os alimentos no estômago", lembra Patury. Por isso, pessoas com azia crônica sempre elevam a cabeceira da cama. “Outra questão é que não devemos fazer refeições pesadas antes de dormir”. 

Dor pós-refeição - A dor que se instala logo após uma refeição - especialmente uma grande refeição - geralmente significa que o estômago está sobrecarregado e seu conteúdo não tem para onde ir,a não ser para cima. Mas você pode prevenir isso sem tomar medicação. "O ideal é fazer pequenas refeições ao longo do dia, com menos gorduras e controle de ingestão de álcool e cigarro", recomenda o médico. 

Gosto amargo - Às vezes, o ácido que escapa do seu estômago pode atravessar a garganta, deixando um sabor amargo na boca. Se isso tem ocorrido - especialmente à noite - você deve consultar um médico. 

Rouquidão, dor de garganta e tosse - Você pode pensar que está nos estágios iniciais de um resfriado, mas a rouquidão pode ser outro sintoma de azia. Isso porque, segundo Gustavo, se o ácido estomacal está penetrando em seu esôfago, pode irritar suas cordas vocais. Observe se sua garganta tende a doer somente após as refeições. Ao contrário da gripe, esse tipo de dor de garganta é crônico.  

Náusea - A náusea está associada a tantas coisas que pode ser difícil atribuí-lo ao refluxo. “Mas, em algumas pessoas, a única manifestação que eles têm de refluxo é a náusea”, conta o especialista. Segundo ele, esse sintoma tende a aparecer logo após as refeições. 

Saliva extra - Sua boca de repente produz saliva extra? Esta pode ser uma reação. “É o seu corpo tentando “lavar” um agente irritante presente em seu esôfago”, diz o médico. 

Problema na deglutição - Ao longo do tempo, o ciclo contínuo de dano e cura após refluxo ácido causa cicatrizes, explica o cirurgião. Isso, por sua vez, leva ao inchaço no tecido do esôfago inferior, resultando em um estreitamento do esôfago e dificuldade de deglutição.

 

Fonte: Gustavo Patury

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