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Os carboidratos representam a base da pirâmide




Carboidratos: reposição no pós treino



Por Dr. MarceloFerro

Nutricionista pela Universidade Paulista e bacharel em Publicidade e Propaganda pela FMU, Campeão Paulista de Culturismo, consultor técnico de diversos lutadores tais como Leonardo Viera, Daniel Hernandes e Lyoto Machida




Os carboidratos são a principal fonte de energia alimentar para os seres humanos e também a mais abundante fonte de alimentos encontrada no planeta.

A digestão dos carboidratos inicia-se na boca pela amilase salivar ou ptialina, e posteriormente no duodeno, onde ocorre a maior parte da digestão dos carboidratros pelas amilases pancreáticas e entéricas. Sua absorção só ocorrerá após toda a hidrólise do amido, que irá formar os monossacarídeo que serão levados à corrente sanguínea.



A glicose (dextrose), ao chegar nas células, terá quatro vias no metabolismo intra-celular: glicólise anaeróbica (formação de lactato), glicólise aeróbica (formação de ATP, H2O e CO2), glicogênio (armazenamento) e via das pentoses (formação de ácidos nucleicos).

Em treinamento intenso necessitamos estar com os estoques de glicogênio hepático e principalmente muscular bem abastecidos para não entrarmos em catabolismo. Ao entrar em catabolismo, o fígado inicia um processo denominado gliconeogênese, que é o recrutamento de aminoácidos (proteína) para a formação de energia ocorrendo um consumo de massa muscular magra como fonte de energia. Isso leva a diminuição de tecido muscular e consequentemente a uma queda no metabolismo basal.

Portanto, um dos fatores cruciais e não menos importante que a ingestão pré-treino é a reposição do glicogênio muscular e hepático no pós-treino.

Quando falamos de carboidratos de reposição, é preciso verificar alguns fatores de suma importância para que o objetivo seja atingido com eficiência. Os carboidratos , como foi dito acima, após a sua hidrólise (quebra da molécula) no processo digestivo, sempre formarão um monossacarídeo (forma mais simples de carboidrato). Após absorvidos, estes monossacarídeos chegarão até as células priorizando a formação de ATP (adenosina trifosfato). O ATP é a fonte principal de energia em nosso organismo e a glicose é a forma mais rápida do organismo formar o ATP.



A síntese de glicogênio é feita apenas pela glicose, que é o monossacarídeo principal da glicólise aeróbica (formação de ATP, H2O e CO2). A frutose, que é um outro monossacarídeo encontrado em abundância na maioria das frutas, não entra na via da glicolise aeróbica para a formação de ATP. A frutose formará diidroxiacetona e gliceraldeído e posteriormente gliceraldeído 3-fosfato, que é a forma em que a frutose entra na via glicolítica. A formação de gliceraldeido 3-fosfato é uma via importante para a formação de triglicerídeos (gordura), pois os ácidos graxos saturados, ao se ligarem ao gliceraldeído 3-fosfato formariam o triglicerideos, que não é o interesse de nenhum atleta de musculação e também freqüentadores de academias. Portanto, a abordagem dos carboidratos no pós-treino estaria totalmente focada nos polissacarídeos como a maltodextrina ou mesmo no monossacarídeo como a dextrose.

Assim, quando os músculos necessitarem de ATP irão buscar energia nos estoques de glicogênio muscular onde a glicose está armazenada. Contudo, ao término de exercícios físicos, geralmente os estoques de glicogênio muscular estão escassos e o miócito (célula do tecido muscular) necessita de glicose para reabastecer esses estoques de glicogênio. Como a glicose é a principal fonte de energia para a produção de ATP, a reposição com maltodextrina ou dextrose seria o melhor caminho, desprezando as fontes de frutose que serviriam para formar gordura.

No pós-treino, os glicocorticóides estão muito altos e o nível de catabolismo muscular é intenso. A glicose, sendo um bloqueador dos glicocorticóides, é um caminho interessante para frear a cascata de hormônios como o cortisol que é o principal vilão do tecido muscular, evitando o catabolismo muscular.

Geralmente, atletas preferem utilizar carboidratos rápidos como a dextrose mesclados com carboidratos mais lentos como a maltodextrina no pós treino para recuperação do glicogênio muscular, alegando ter mais êxito do que um dos carboidratos isoladamente. Isto pode ser explicado por um fato muito conhecido, que se chama “janela da oportunidade” que ocorre após um treinamento intenso. Depois do treinamento, os músculos estão mais adaptados a receber uma quantidade de glicose para a formaão de ATP e preencher os estoques de glicogênio, permitindo um consumo de dextrose para uma rápida reposição. Contudo, a janela se estende por um grande período de tempo e um carboidrato mais lento também seria uma alternativa interessante. Dessa forma, mesclar os dois tipos de carboidratos tem sido muito utilizado por fisiculturistas desprezando por completo a reposição com frutose.


Fonte: REVISTA SUPLEMENTAÇÃO - ANO 01 - EDIÇÃO 02

 

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